Colega, y a pesar de eso, amigo.
Prezados amigos: leiam esta análise magistral do mundo em que estamos vivendo. É o trecho inicial da crônica publicada hoje - 20 08 06 - no jornal La Nacion, de Buenos Aires, na coluna semanal de Esteban Peicovich, filósofo, poeta, escritor e jornalista.
Milton Cavalcanti
Chasqui Comunicações
Rio de Janeiro
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Três NotÃcias. Deteve-se a matança no Oriente Próximo: mas o conflito pende por um fio. Prossegue a matança no Oriente Médio: mas não há maneira de que o entenda Bush, ou alguém o convença. Continua a matança na Ã?frica: mas isto é barbárie no grau de costume. Nessas Três NotÃcias falha a ONU. Por ser 200, mas ao mando de Um. Porque o seu é artifÃcio, edifÃcio, protocolo. E oficiar de mentirinha. A ONU é blefe. As Três NotÃcias já chegaram em sua Secretaria mil vezes. As Três, juntas, pesam tanto quanto uma guerra mundial. Mas nada acontece. A ONU ignora que é a Casa onde vive ou morre a civilização 2006. Vegeta. Nem comanda nem freia os avarentos vizinhos do consórcio. A ONU agenda, tagarela, trama, titubeia, especula, cede, anuncia, trai. A ONU finge atuar: deixa correr tempo e sangue. Não se apressa em destravar as rodas emperradas do mundo. As citadas Três NotÃcias importam mais a qualquer aposentado que as vê na TV, do que aos 200 ocupantes da ONU. Para seus 200 chefetes tudo anda bem, e se algo importante do gênero acontece “organiza uma comissão” do grupo dominante. Os discursos de Kofi Annan são sempre os mesmos. Sua “atualidade” aborda crises iguais de tempo e lugares diferentes. Esta é a falsa tacada da cúpula da Comissão Dirigente do mundo. Não responde à lei de gravidade. É de outro planeta. Não administra. Trava. As já antigas Três Noticias desta semana seguirão “Esperando Godot”. A ONU prova que o homem 2006 está vazio. Perdeu seu interior. É um animal forâneo de si mesmo. Desligou-se do próximo, da árvore, do cavalo, da água. Usa perfumes não extraÃdos de flor. Cruza cães. Deforma vacas. Mistura reinos. Caminha em esteira para caminhar. Não sabe ouvir o pulsar do coração. Não diferencia o novo do velho. Não produz experiência. Não faz história. Não o inquieta que a ONU esteja oxidada. Come, veste, fornica, acata. É um boneco de trapos que ignora que o é. Não imagina. Não pensa: palpita. Para ele, tanto faz que seja amanhecer ou anoitecer. Não fala da chuva. Não lhe importa o céu. Vendeu os sÃmbolos. Só lhe restam 500 palavras. As Três Noticias que o incluem, entram por um ouvido e saem pelo outro. É o anti Hamlet. Não ser ou não ser? Esse é seu dilema. Não toca o violino. Mete-o na sacola. Liga a TV.

